A loja de Assunção, Paraguai, adotou a RFID para recebimento de mercadorias, passando pelo gerenciamento de estoque e chegando até o processo de venda

 

14 de junho de 2017 – A Lez a Lez, rede brasileira de franquias que tem a sua sede localizada na cidade de Assunção, no Paraguai, adotou a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) para controlar desde o recebimento de mercadorias, passando pelo gerenciamento de estoque até o processo de vendas. A partir dos testes bem-sucedidos na loja conceito, as demais filiais passarão a implantar os mesmos processos com RFID, a partir de agora.

Segundo a direção da empresa, a loja conta com um estoque de aproximadamente 5.000 peças e uma média de giro de venda mensal de 1.600 produtos. Na avaliação de seus gestores, o que diferencia a rede de seus concorrentes é estar sempre em busca inovação e seguir as últimas tendências da moda para o seu público alvo, ou seja, as mulheres.

Fachada da loja da Lez a Lez, de Assunção, no Paraguai, que adotou com sucesso a tecnologia RFID

A operação da loja da Lez a Lez era feita com código de barras, antes da adoção da RIFD. Ou seja, incluía os processos de entrada até os de saída de mercadorias, assim como a realização de inventários, que demandavam muito tempo, tinham custos elevados e ainda embutiam um alto índice de erros de contagem, típicos dos códigos de barras.Devido à complexidade e lentidão dos processos, os produtos demoravam muito tempo para chegar na área de vendas. Além disso, para realizar os inventários, eram necessárias seis pessoas trabalhando durante 12 horas para ler, item a item, manualmente, todos os códigos de barras.

“Antes da RFID não conseguíamos conferir as mercadorias que chegavam da matriz para a loja, porque a bipagem por código de barras era item a item, o que tornava o processo muito lento, levando em torno de duas horas e meia para processar uma média de 450 peças”, afirma Samuel Kandler Martinez, diretor da rede de varejo.

“Com a tecnologia RFID, conseguimos fazer a conferência das mesmas 450 peças em 15 minutos e com as caixas lacradas, já levando em consideração informações das entradas por cor e tamanho dos produtos”, afirma Martinez. “Isso nos proporcionou mais rapidez e eficiência nos processos, fazendo com que os produtos chegassem à área de vendas conferidos e com a garantia de rastreabilidade das peças”.

Com RFID, a empresa aponta que os inventários se tornaram mais rápidos e precisos, reduzindo o tempo de 12 horas – com código de barras – para 50 minutos. Sem contar que ao realizar o balanço total ou parcial da loja pode-se fazer a conferência dos itens expostos por ruptura de gôndola e FIFO (First In First Out).

Vendedora mostra etiqueta RFID fixada em peça de roupa

“Assim, podemos executar a leitura com RFID durante o dia e verificar se existem grades com quantidades divergentes do que a ideal na área de vendas, solicitando a reposição imediata ao estoque”, explica. “Nesta mesma leitura, verificamos se há itens nas gondolas que já estão fora do tempo estipulado para venda”.

Outra conquista com a tecnologia foi o melhor rastreamento de mercadorias expostas para comercialização. “Controlamos o trânsito das mercadorias que circulam entre as áreas através de um portal RFID”, diz o gestor. “Ao passar pelas antenas, saberemos se a mercadoria saiu do estoque e foi para a loja, e vice-versa”.

Esta implantação não segue o padrão GS1 EPC Gen2, porém, todos os equipamentos atendem às especificações de padronização, segundo a iTag, empresa fornecedora de tecnologia RFID.

Quanto à tecnologia implantada, as leituras RFID são feitas por um leitor Zebra 8500 para conferência da mercadoria que chega do CD na loja, inventários, ruptura e FIFO; um leitor Zebra 7500 com 4 antenas AN480 para controle de mercadorias que descem do estoque para a loja; e um leitor Zebra 7500 com antena AN610 para o faturamento dos produtos no caixa.

Foram utilizadas ainda 10.000 etiquetas descartáveis iTag adesivas, tamanho 7cm por 2cm, embutindo chip EM 4124 com tamper de segurança. Segundo Sérgio Gambim, CEO da iTag, o maior desafio do projeto foi respeitar o layout das etiquetas Lez a Lez, que possuem letras metalizadas. “Analisamos a tag e depois de validações e testes conseguimos aplicar a etiqueta adesiva iTag EM 4124 RFID, com 100% de leitura”.

Após a implantação da RFID na loja, a empresa reduziu o tempo dos processos desde o CD até a loja, eliminou entregas divergentes, aumentou a acuracidade e diminuiu o tempo para realizar um inventário completo, ganhou controle dos itens armazenados em estoque e rastreamento das peças ao longo dos processos.

“Agora iremos expandir a RFID para outras seis lojas da rede no Paraguai e focar na interação com os clientes, fazendo o controle das mercadorias que entram no provador”, anuncia Martinez. “Desta forma, com RFID, podemos sugerir combinações de peças que estão na área de vendas aos clientes, proporcionando uma nova experiência de compra e atendimento”.

O ERP proprietário da Lez a Lez está integrado aos middleware RFID da iTAG, que seguem todas as questões regulatórias do Paraguai. Desenvolvidos pela iTag, o middleware iPrint é responsável pelas impressões das etiquetas RFID e o middleware iTag Monitor realiza as leituras das tags. A iTAG também oferece webservice para inventários e controle de estoque por ruptura e FIFO. O banco de dados opera remotamente, em cloud computing.

O processo com RFID funciona assim: a mercadoria com RFID sai do CD e vai para a loja, onde se faz a conferência com um coletor RFID. Em seguida, o mesmo coletor passa a ser usado durante o dia para as auditorias da loja, verificando rupturas e FIFO dos produtos. Quando necessário, são realizados inventários parciais ou totais da loja”.

A movimentação do estoque é gerenciada por meio do portal RFID que fica o tempo todo ligado no período de funcionamento da loja. O processo de venda é realizado por um leitor RFID que fica no caixa.

Comparando os resultados da RFID e os processos antigos da loja com códigos de barras, por exemplo, no recebimento das mercadorias, os ganhos aparecem na substituição de todo o trabalho feito manualmente, por amostragem, no estoque e na conferência. Esse processo era um dos mais propícios a erros, pois em alguns casos a mercadoria não era conferida.

Outro ganho foi com a realização de inventários constantes e sob demanda, eliminando o método de execução a cada três meses, quando a conferência dos produtos mobilizava toda a equipe da loja e levava mais de 12 horas para obter um relatório – normalmente, cheio de erros.

Segundo o gestor da rede, a iTAG foi fundamental para a implantação RFID na Lez a Lez. “Mesmo estando em outro país a empresa participou de todos os detalhes do projeto, desde os primeiros testes até o presente momento, com o suporte técnico. A atenção e o cuidado com o funcionamento correto dos equipamentos e sistemas são o diferencial”.

“Conhecemos a iTag após uma visita de Sérgio Gambim no Grupo Alianza – nossa próxima implantação de RFID – em Assunção, no Paraguai, quando ele veio fazer uma demonstração da tecnologia RFID”, diz Martinez. “Nos interessamos e decidimos conhecer o escritório da iTag em São Paulo e, então, após ver a tecnologia em funcionamento, iniciamos a parceria com testes na loja”.

Sergio Gambim, da iTag

Implantar RFID foi uma experiência positiva na empresa, afirma Martinez. “Facilitamos o trabalho dos colaboradores, porque, agora, ao invés de bipar peça por peça, o trabalhador pode ler dezenas de peças em segundos. Ganhamos confiança nos processos realizados, pois contamos com a rastreabilidade dos itens, e não serão mais necessárias diversas pessoas para realizar o inventário da loja”.

Para a iTag, a conquista de seu primeiro cliente internacional representa um feito histórico. “Para 2017, a iTag mirava uma meta para além do crescimento no mercado brasileiro”, afirma Gambim: “queríamos expandir os negócios para algum país latino-americano”. Segundo ele, o Paraguai foi o escolhido, principalmente, pelo crescimento econômico, que, neste ano, bateu 6,6% no primeiro trimestre.

Por Edson Perin

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