Somatória de fatores, incluindo a maior eficiência na reposição das mercadorias para venda, levou a empresa a vender 56% a mais na Black Friday 2017

Por Edson Perin

8 de dezembro de 2017 – A subsidiária brasileira da famosa marca norte-americana de jeans, camisas, camisetas, cintos, bonés e calçados Levi’s tornou-se a mais nova adepta da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) para rastreamento e controle de inventário no país. A implantação bem-sucedida, realizada pela iTag Tecnologia, já está trazendo resultados positivos logo nos primeiros meses de operação, iniciada no segundo semestre de 2017.

A Levi’s Brasil decidiu testar a solução RFID em suas 16 lojas próprias, que integram um total de 78 pontos de venda no país, principalmente porque utilizam um mesmo sistema eletrônico de gestão (ERP) e, assim, a implantação tornou-se menos complexa – para se ter uma ideia, as outras 62 lojas utilizam 12 ERPs diferentes. A primeira prova de fogo da solução ocorreu no final de semana da Black Friday, quando a empresa computou 56% de aumento nas vendas em relação a 2016, graças a diversos fatores, ainda sem poder precisar exatamente o quanto foi por causa da RFID, como explicou Rui Araújo Silva, diretor geral da Levi’s no país.

Site brasileiro da Levi’s

 

“Uma coisa é certa: a capacidade de repor peças nas prateleiras com facilidade e velocidade foi um dos elementos determinantes deste sucesso de crescimento de vendas em nossas lojas. Só não sabemos precisar o quanto foi graças à RFID especificamente, porque realizamos neste ano uma série de melhorias nos processos das lojas e nas decisões sobre a coleção, além de termos sido impactados por uma melhora significativa no cenário econômico do país”, argumenta Silva, que prevê um Natal de bons negócios neste ano.

 

Rui Araújo Silva, da Levi’s

Tudo indica, na opinião do executivo, que – com a RFID – foi possível atender com eficiência os clientes que vieram comprar mais neste ano em comparação com o ano passado. Provavelmente, se não tivesse implantado a tecnologia com sucesso, como ocorreu, as vendas da Levi’s poderiam ter sido freadas pela incapacidade de abastecer os pontos de venda com regularidade e precisão. Esta visão também é compartilhada por Jefferson de Paulo, diretor de logística e distribuição da Levi’s Brasil, que está gerenciando a colocação das tags iTAG EM 4124 em todas as mercadorias vendidas no país: uma parte produzida localmente – 20% – e o restante importado do exterior. A empresa consome hoje 50 mil etiquetas RFID por mês.

 

 

A RFID na Levi’s está sendo utilizada para rastrear os produtos desde quando são recebidos no Centro de Distribuição (CD), o que envolve em seguida a finalização dos “pedidos de compra”, transferência, conferência dos volumes lacrados (item versus Nota Fiscal), envio para as lojas, onde ocorre a conferência final no recebimento. A tecnologia também está sendo empregada nos processos de venda e inventário, além da solução antifurto.

No CD, onde ocorre a impressão das etiquetas, será iniciado o teste para o recebimento das mercadorias e a finalização dos pedidos de compra. Também no CD realiza-se o faturamento dos pedidos de venda para as franquias multimarcas e a transferência para as lojas próprias. Em seguida, faz-se a conferência dos volumes lacrados, comparando os itens empacotados e a nota fiscal das mercadorias. Com as tags inseridas em todos os produtos, a RFID facilita, logicamente, o controle de inventário e a localização de mercadorias.

Nas lojas próprias – e, futuramente, também nas fraqueadas –, o recebimento e conferência dos volumes vindos do CD são feitos utilizando a solução de RFID, assim como o inventário da área de vendas e o estoque. O checkout nos caixas de pagamento também utiliza a identificação por radiofrequência para realizar as vendas, dar baixa automática dos itens comercializados no estoque e também para impedir a passagem de produtos furtados pelo portal de saída. Todas as tags estão adequadas ao padrão GS1. “Nos produtos da Levi’s utiliza-se codificação SGTIN-96/EPC Gen 2. Será utilizado também o padrão SSCC com DataMatrix GS1 para a cadeia logística dos volumes. E o EPCI’S para fluxo de informações entre toda a rede”, diz Sérgio Gambim, CEO da iTag.

Jefferson de Paulo, da Levi’s, mostra a tag utilizada nos jeans da companhia

O processo de impressão das etiquetas ocorre no CD, após a conferência dos produtos que são recebidos da Levi’s do México ou impressos pela produção no Brasil. Para realizar as impressões, o middleware iTag Iprint verifica a quantidade de itens e aciona a impressora SATO CL4NX, que produz as etiquetas seguindo o padrão GS1. Os produtos etiquetados são armazenados em caixas lacradas e são validados no portal RFID de entrada de mercadoria, para depois seguirem ao estoque onde, posteriormente, serão enviados às lojas pelo processo de picking.

Assim que o CD recebe a solicitação de transferência para as lojas, o processo de picking é realizado com as caixas que embalam os produtos a serem transferidos. Uma leitura RFID é realizada no portal de saída de mercadorias após o processo de picking. O software iTag Alert 2.0 é alimentado com as informações de transferência com os produtos a serem expedidos. Finalizado o processo de expedição, a caixa é lacrada e lida novamente auditando cada item com a nota fiscal. No momento de chegada na loja, o processo de ler a caixa lacrada garante a acuracidade dos itens lidos, lacrados no CD.

Para a contagem massiva ou parcial das mercadorias estocadas, a Levi’s utiliza o leitor RFD 8500 da Zebra Technologies, vinculado ao aplicativo para celular Android iTag Alert. Assim , o operador realiza a leitura pelo coletor e obtém os resultados direto no aplicativo, com informações sobre o inventário total ou parcial dos produtos, FIFO (First In, First Out), ruptura, e localização de cada item.

 

Nas lojas da Levi’s, os produtos etiquetados ficam expostos na área de vendas. Quando o cliente finaliza sua compra, segue para o caixa onde todo o processo de venda será realizado pelo iTAG Monitor integrado ao ERP da Levi’s.

Para validar o controle dos produtos furtados na loja, no momento do faturamento dos produtos, o software iTAG Anti-Furto 2.0 valida o faturamento dos itens gravando o número de nota fiscal de saída. Caso um item não tenha sido faturado e não conste a nota fiscal de saída, o software acusará na saída do cliente da loja por meio do tablet com o Itag Alert, que será utilizado pelo gerente da loja.

Para o check-out de produtos, são usados os leitores de mesa RFID UHF Identix rPad

Para que a Levi’s possa auxiliar seus lojistas no controle dos estoques, no momento do faturamento todo código de produto é enviado para a bolha EPCI’S da Levi’s para o CNPJ faturado. Com isso, o auditor Levi’s, em posse de um leitor RFID Zebra 8500 vinculado a aplicação Android iTAG Alert e sincronizado com o EPCI’S, terá a visão da mercadoria exposta na área de vendas e no estoque.

 

Para o check-out de produtos, são usados os leitores de mesa RFID UHF Identix rPad, que têm antena integrada de polarização circular, o que reduz o custo de aquisição de hardware e facilita a implantação. O custo e o design tornam o rPad um dispositivo acessível para o comércio varejista, em especial nos segmentos de moda e calçados. “Quando usado em pontos de venda, o rPad permite realizar leitura de múltiplos itens em alta velocidade de maneira segura, rápida e eficiente, com redução do tempo de checkout”, explica Maurício Strasburg, CEO da Identix.

Sérgio Gambim, da iTag

 

Para Gambim, da iTag, a realização deste projeto representa uma conquista especial. “É um grande orgulho para nós estar junto da Levi’s em um projeto de RFID. Afinal, foi a empresa que ditou regra no mercado, sendo a criadora da primeira calça jeans em 1853, quando Levi Strauss, alemão natural da Baviera, mudou-se para São Francisco, nos Estados Unidos, na era da corrida do ouro para abrir uma loja de tecidos”.

 

 

 

Matéria publicada no RFID Journal Brasil: http://brasil.rfidjournal.com/noticias/vision?16952/

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