Empresas do setor têm dobrado a lucratividade apenas com o rastreio de estoque. Garantia de ganhos sobre as perdas

 

Um grupo de empresas do setor da confecção tem mostrado que, ao contrário da maioria, investir em meio à recessão, é a principal alternativa para reduzir os efeitos da crise que se estende no mercado interno desde o final de 2014. Aliando tecnologia à gestão de estoque, as empresas conseguiram reduzir em 70% as perdas de estoque, revertendo o montante em lucro líquido para o faturamento mensal das fabricantes.

Mas, como reduzir o tempo da expedição e ainda assim, conseguir ganhos com as perdas? O segredo para alcançar o sucesso na gestão de estoque veio proporcionado pela tecnologia de radiofrequência acoplada nas chamadas etiquetas inteligentes. Lançada no mercado nacional em 2007, pela iTAG, as etiquetas proporcionam ao empresário 100% do controle de estoque, em minutos.

“O que antes demorávamos uma manhã inteira para conferir, hoje conseguimos fazer em 30 minutos. É nisto que ganhamos, pois, na produção e rendimento. A loja não fica mais parada para balanço”, explicou o sócio proprietário da Camisaria Planner, de Cianorte (PR), Diego Novo. A empresa hoje possui uma central de distribuição responsável por atender cinco lojas no Paraná.

Em decorrência da gestão inteligente associada a outros investimentos, a empresa estimou um crescimento de 60% em 2016, e prevê novas expansões em 2017. “A tecnologia me trouxe ainda a certeza de que meu controle de estoque era eficiente. E conseguimos reduzir as perdas ou extravios, a margem de zero”, garantiu o empresário.

No Grupo Mackvanny, também de Cianorte (PR), a tecnologia permitiu ganhos ainda maiores. Segundo Samir Abdayem, sócio-diretor da Mackvanny, a companhia obteve melhorias com o uso da RFID tanto em suas operações como nos processos.

“Os benefícios obtidos com o sistema RFID foram ótimos, porque conseguimos ter mais precisão e controle no faturamento para clientes, evitando assim divergências entre o que foi faturado e as peças entregues”, explica. “Também tivemos um ganho considerável no controle do estoque, já que os erros e divergências foram reduzidos”.

“Antes da RFID, o processo de faturamento era muito manual. Mas com a tecnologia, as atividades se tornaram mais eficientes e menos operacionais, facilitando assim as validações, checagens e controle”, afirma Abdayem. A solução foi implantada pela iTag, que desenvolveu o portal fixo RFID, com leitor e antena da Acura Global.

Em ambos os casos, o leitor está instalado dentro do portal, que fica na expedição, onde é feita a leitura. As peças do pedido são colocadas nas caixas para despacho e após isto são lacradas. Depois de fechado o pedido, são colocadas cerca de quatro caixas por vez dentro do portal e é feita a leitura. Ao todo as caixas contém aproximadamente 400 peças. Em seguida, as caixas são retiradas do portal e estão prontas para o despacho.

Isto é possível porque todas as roupas produzidas na fábrica da Mackvanny recebem uma tag (ou etiqueta inteligente) RFID com uma identidade única, determinando o modelo específico de cada peça, cor, tamanho e outras caraterísticas, individualmente, como um acabamento bordado, um botão especial etc. As tags utilizam o chip Ucode7, da NXP Semiconductor, e são fabricadas pela iTag.

Já na fabricante de uniformes, Hermitex, de Campinas (SP),  a companhia investiu na solução de identificação por radiofrequência (RFID), da iTag. Como resultado, a Hermitex atingiu 70% de otimização no tempo de contagem de peças e conquistou 100% de rastreabilidade dos produtos.

Segundo o executivo Lucas Kolokathis Costa, diretor da Hermitex, a companhia se destaca pelo atendimento de pronta entrega de diversos produtos, o que permite suprir a demanda de empresas de qualquer porte. Apesar disso, a Hermitex optou por não adotar o padrão passivo EPC UHF, da GS1, porque a serialização visa apenas ao uso interno com o sistema de gestão (ERP) da Magic Network, que utiliza banco de dados em cloud computing.

Antes da RFID, os processos  de controle de fabricação, controle de estoque e vendas dos produtos eram feitos em sistema informatizado, porém, com alimentação manual de informações e total dependência de funcionários para contagens, acertos, movimentações etc. “Praticamente não tínhamos rastreabilidade, exatidão em contagens e, principalmente, eficiência em todos esses processos”, atesta Costa. “Exatidão e otimização de tempo foram impactos positivos imediatos da RFID”.

Com a tecnologia de identificação por radiofrequência, as etiquetas são impressas e fixadas aos produtos em uma das etapas de produção, ou seja, quando as peças são desmembradas de seus lotes iniciais. A partir disto, as leituras são feitas nas movimentações dessas peças de um setor para o outro da produção, até chegar ao estoque. Depois, as coletas são feitas para levantamento de inventário, conferências e faturamento do setor de vendas.

Sérgio Gambim, CEO da iTAG, explica que a lucratividade oferecida pela redução das perdas é imediata. Isto porque, automaticamente ganha com as peças, antes, extraviadas. “O ganho está justamente na perda. Se a confecção lida, em média, com 3% a 5% de perdas no estoque, ela precisa bancar esta perda de alguma forma. Reduzindo as perdas, ela passa a reduzir os prejuízos”, destaca.

Além disso, o processo de rastreabilidade permite que a fabricante localize falhas e ganha tempo no inventário e expedição. “Ou seja, é a prova de que tempo é dinheiro”, comenta Gambim.  (Contribuição de Edson Perini/RFID Journal)

923visitaram esta página,1visitas hoje

Deixe seu comentário: